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Palavra do Pastor

Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques, Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

13 de ago. de 2014

FAMÍLIA CELEIRO DE VOCAÇÕES

Era domingo de manhã, quando meu filho, de 7 anos, pediu-me para ler, em sua pequena Bíblia, um episódio da vida de Jesus. Juntos, decidimos pela parábola do semeador (Mt 13, 1-23) que passei a ler e a refletir com ele. Vendo seus olhos atentos à leitura, pensei o quanto nós pais, temos de responsabilidade na evangelização destes pequeninos que Deus nos confiou e o quanto perdemos de tempo, deixando muitas vezes “de lado”, oportunidades valiosas como estas, para falar do amor de Deus para eles; educação humana necessária, missão educadora de família, como nos ensinou São João Paulo II, na Familiaris Consortio; texto, no entanto, tão atual e oportuno para nosso cotidiano.

























Após a leitura, como é próprio desta geração que nasceu na era da informação, ele veio com diversas ilustrações; de como temos de estar atentos para ouvir a mensagem da Bíblia, e citou exemplos do que já viu e ouviu nos filmes e desenhos que assiste. Aproveitei então, para falar-lhe que, como a “terra boa” da parábola, o nosso coração deve estar fértil e bem cuidado, para receber tudo de bom que Deus tem para nós, cultivando as boas ações, o amor ao próximo, a obediência aos pais, a fraternidade para com todos.

Minha filha, de 14 anos, aproveitou a oportunidade para perguntar questões da Bíblia que não entendia muito bem e aproveitamos este momento para aprendermos juntos, um pouco mais, da Palavra e da pedagogia de Deus.

Pensei o quanto estas atitudes são simples e plenas de significado e união familiar. Parei por um instante, olhando para eles; “fotografei” aquele momento e concluí que tinha acabado de construir saudades boas da juventude dos dois que ficarão guardadas com muito carinho como um tesouro no meu coração e agradeci a Deus pela beleza daquela manhã de domingo em família. Vinte, trinta minutos de partilha do amor de Deus, lembranças boas que precisam ser enriquecidas muitas e muitas vezes ao longo deste período em que eles ainda estão perto de nós, nos ouvindo e aprendendo conosco e nós com eles, com seu vigor, com sua inocente pressa de entender tudo, com suas “tiradas” joviais.

O Papa Emérito Bento XVI, ao falar do Sacramento do Matrimônio, em setembro do ano de (2011), lembrava que "o ministério que nasce do Sacramento do Matrimônio é importante para a vida da Igreja: a família é lugar privilegiado de educação humana e cristã e permanece para esta finalidade, a melhor aliada do ministério sacerdotal; ela é um dom precioso para a edificação da comunidade”. Concordando com esta verdade, percebi mais uma vez o quanto a família é responsável por fazer dos lares, ambientes férteis para novas vocações, exercitando a reflexão e o estudo constante da palavra de Deus, a Eucaristia, o perdão, o diálogo, a caridade e a fraternidade, para fazer brotar o desejo, por parte dos jovens, de servir a comunidade como sacerdote, religioso ou religiosa ou mesmo como leigo ou leiga, engajado nos serviços, movimentos e pastorais da Igreja.

Para o Papa, o Sacramento do Matrimônio, como o Sacramento da Ordem, tem como fonte plena e necessária a celebração da Santa Missa; por isso, ter em nossas famílias um sacerdote ou uma religiosa, ou até ambos, penso que é uma bênção especial que Deus concede aos lares cristãos. Avalio como uma semente, que como na parábola do semeador, caiu em terra boa, em coração cultivado com carinho, cuidado, promessa de futuro em nome do Amor.

Não sei se meus pequenos, um dia, serão chamados para este serviço sacramental ou se optarão pela vocação do matrimônio, como fizemos eu e a mãe deles. Somente peço a Deus que eles jamais esqueçam a quem eles pertencem. Como cidadãos do céu, nossa esperança e fé é que abracem o caminho do bem, da verdade, da humanidade, como homem e mulher que são, expressões do amor que nos uniu, como pais, ao ato criador de Deus, nos abençoando como procriadores, guardadores do amor conjugal materializado em duas pequeninas sementes que germinarão no tempo certo, para o serviço, na vocação que Deus os chamar.

Penso que precisamos, com mais frequência, ouvir e refletir a Palavra, como fizemos neste domingo, na intimidade de nossa pequena comunidade familiar, Igreja doméstica; por isso, resolvi refletir isto com você, caro leitor/leitora deste artigo, expressando assim, nossa amizade neste espaço. Afinal, como ainda nos ensina nosso Santo Padre "Nenhuma vocação é questão privada, nem mesmo a do matrimônio, porque o seu horizonte é a Igreja inteira". Amém!

LENO CARMO

Fonte: Paróquia de Jesus Ressuscitado - Arquidiocese de Belém 
http://jesusressuscitado.com.br/

10 de ago. de 2014

Segunda semana: vocação para a vida em família

Um dia para a família. No segundo domingo do mês vocacional (10/08/2014) celebramos a vocação da família, tendo presente o dia dos pais. A família vem sofrendo muita violência e agressão, em seu sentido e em seus valores, passando por um processo de desestruturação. Mas é verdade também que existe um clima favorável à reflexão, à oração, ao afeto, à gratidão para com os pais, uma retomada do lugar fundamental da família. A família é chamada por Deus a ser pai, a ser mãe, a gerar vida, a ser testemunha do amor e da fraternidade. É sinal de Deus Pai Criador. A Igreja no Brasil, consciente da importância da família no plano da salvação e no projeto de evangelização, quis lhe dedicar um dia especial. Nesse sentido o segundo domingo de agosto é dedicado à família como vocação e missão.
























A vocação da família. Se expressa na aliança da Trindade com a humanidade na continuidade e garantia da vida, e vida plena. Concretiza o projeto de Deus para os homens e mulheres que é vida e dignidade. No amor e na fidelidade da família se encontra o sinal visível e palpável, pelo sacramento do matrimônio, do amor e da fidelidade do próprio Deus. É o espaço e o ambiente ideal para aprofundar e formar a consciência vocacional das crianças, dos adolescentes, dos jovens; enfim, a responsabilidade vocacional de todos. Diz o Papa João Paulo II que “os pais servirão verdadeiramente a vida dos seus filhos, se os ajudarem a fazer da própria existência um dom, respeitando as suas escolhas maduras e promovendo com alegria cada vocação, mesmo a vocação religiosa e sacerdotal”. Que grandiosa e bela vocação tem a família.

A família, celeiro das vocações. A família, pelo sacramento do matrimônio, participa da missão educativa da Igreja, que é mestra e mãe. Denominada igreja doméstica a família oferece as condições favoráveis para o nascimento e o crescimento das vocações. As famílias têm a missão de educar seus filhos e filhas para uma autêntica vida cristã. Ao cultivarem os valores da fé a família abre espaços e tempos para que os filhos possam discernir o chamado de Deus. Na verdade uma autêntica família cristã, testemunha fiel no mundo e comprometida com os ministérios na comunidade, proporciona um confronto sadio entre os ideais e sonhos dos adolescentes e jovens com as propostas do Evangelho, as necessidades da Igreja e da humanidade. A família é o celeiro, é o campo e a messe, é a sementeira das vocações e dos ministérios.

Amor à família. No dia da família, de sua vocação e de sua missão na Igreja e no mundo, elevemos nosso louvor a Deus e nossa gratidão aos pais e à família que temos. Mesmo que muitos homens e mulheres não assumiram sua responsabilidade de pais, mesmo que muitos filhos e filhas estejam abandonados e excluídos de um aconchego familiar, de uma casa, temos a responsabilidade de anunciar e propor a família e seus valores como fundamentais para que a vida não se perca e o Evangelho seja vivido e anunciado. Nossa vocação é a da inclusão de todos em uma família, que seja fraterna, justa, solidária, missionária, evangelizadora.

Vamos seguir o exemplo da família de Nazaré que, em sua pequenez e humildade, se fez a servidora do Senhor. Somos todos, a família de Deus.

Fonte: Portal Católico 

6 de ago. de 2014

A vontade de Deus para a vida sacerdotal

“O padre é homem de misericórdia e compaixão”. Papa Francisco

O sacerdote é “alter Christus”. São Tomás de Aquino disse que Jesus é o verdadeiro sacerdote e que os outros são seus ministros. Segunda-feira foi dia do Cura D’Ars, patrono dos párocos. Por quê?

Primeiro, porque viveu o sacerdócio conforme a vontade de Deus, cem por cento para Deus; morreu para si mesmo. Antes de tudo era um homem de profunda oração, ficava até dez horas seguidas no Confessionário, cuidava dos pobres e doentes como se fossem o próprio Jesus. Viveu 40 anos em Ars, um lugarejo da França, nunca quis ser bispo e nem viajar. Morria por seus paroquianos e sentia que não podia perder nenhum deles para o inferno. Viveu, sofreu e morreu por eles. Viveu a santidade, e por este motivo, até cardeais de Paris vinham se aconselhar com ele. Era um modelo de piedade como todo sacerdote deve ser. E santo! Viveu só para Deus. É o que Deus quer para todos os sacerdotes: que deixem incendiar-se de amor a Deus, que deixem incendiar-se por este fogo este que o consumiu.

Se o sacerdote não tiver esse fogo do Espírito de amor a Deus, a seu Reino, a Igreja e a salvação das almas, seu sacerdócio pode se esvaziar, ficar anêmico e sem sentido. Sem isso, ele pode se deixar enganar pelas miragens encantadoras do mundo: dinheiro, conforto, carros, luxo, etc.. Querer buscar uma falsa e perigosa satisfação.

Ser sacerdote é ser conformado com Jesus Cristo, na vida e na morte. “Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, não pode dar fruto”(Jo 12,24).

O sacerdote é pastor como Jesus, se assim não o for,  as ovelhas se dispersam e são assaltadas pelos lobos, falsos pastores e falsas doutrinas.

Certa vez, em uma de suas homilias na Casa de Santa Marta, em Roma, o Papa Francisco disse:

“Ao final das contas um bispo não é bispo para si mesmo, é para o povo; e um sacerdote não é sacerdote para si mesmo, é para o povo: está a serviço do povo, para fazer crescer, para pastorear o povo, o próprio rebanho. Para defendê-lo dos lobos”.

“É belo pensar isto! Quando neste caminho o bispo faz isto é uma bela relação com o povo, como o bispo Paulo fez com seu povo. E quando o sacerdote tem esta bela relação com o povo, dá-nos um amor: há amor entre eles, um verdadeiro amor, e a Igreja se torna unida”.

E encerra sua reflexão neste dia com essas belas palavras: “Nós temos tanta necessidade de permanecer fiéis, para sermos homens que vigiam sobre o rebanho e também sobre nós mesmos, para que nosso coração esteja sempre dirigido para o seu rebanho. E também para que o Senhor nos defenda das tentações, porque se nós formos pelos caminhos das riquezas, se formos pelo caminho da vaidade, convertemo-nos em lobos e não em pastores. Rezem por isso, leiam isto e rezem. Assim seja”. (15/05/13 – Homilia, Casa de Santa Marta)

Jesus quer o sacerdote como ele: “não tem onde reclinar a cabeça”. De fato isso não é fácil. Mas com a graça sacerdotal do sacramento da Ordem é possível. Como disse Mons. Jonas um dia: “Ou santos ou nada!”.

Prof. Felipe Aquino

Catequese com o Papa Francisco - 6/08/14


CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia !
Nas catequeses anteriores vimos como a Igreja é um povo, um povo preparado com paciência e amor de Deus, e ao qual todos nós somos chamados a pertencer. Hoje eu gostaria de destacar a novidade que caracteriza este povo:  é realmente um novo povo que se fundamenta na nova aliança estabelecida pelo Senhor Jesus com o dom de sua vida. Esta novidade não nega o caminho anterior, ou se opõe a ele, mas sim o leva adiante, o leva ao cumprimento.
1. Há uma figura muito significativa, que atua como um elo entre o Antigo e o Novo Testamento: a de João Batista. Para os Evangelhos Sinóticos, ele é o “precursor”, aquele que prepara a vinda do Senhor, predispondo o povo à conversão do coração e a receber o consolo de Deus que está próximo. No Evangelho de João é a “testemunha”, pois permite-nos reconhecer em Jesus, Aquele que vem do alto para perdoar os nossos pecados e fazer de seu povo a sua esposa, primícias da nova humanidade. Como um “precursor” e “testemunha”, João Batista desempenha um papel central em toda a Escritura, pois atua como uma ponte entre a promessa do Antigo Testamento e seu cumprimento, entre as profecias e a realização em Jesus Cristo . Com o seu testemunho, João nos mostra Jesus e nos convida a segui-Lo, e nos diz, sem meio termo, que isso requer humildade, arrependimento e conversão: é um convite que faz se à humildade, arrependimento e conversão.
2. Assim como Moisés realizou uma aliança com Deus em virtude da lei recebida no Sinai, assim Jesus, em uma colina à beira do lago da Galiléia, entrega aos seus discípulos e à multidão um novo ensinamento, que começa com as bem-aventuranças. Moisés deu a Lei no Sinai e Jesus, o novo Moisés, dá a lei na montanha, à beira do lago da Galiléia. As bem-aventuranças são o caminho que Deus mostra como uma resposta ao desejo de felicidade que é inerente ao homem, e aperfeiçoa os mandamentos da Antiga Aliança. Estamos acostumados a aprender os Dez Mandamentos – é claro, todos vocês sabem, aprenderam na catequese – mas não estamos acostumados a repetir as bem-aventuranças. Vamos memorizá-las e imprimi-las em nosso coração. Façamos uma coisa: eu vou dizer uma depois da outra e vocês repetem. Concordam?
Primeira: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”.
“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”.
“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”.
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados”.
“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”.
“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”.
“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.
“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”.
“Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por minha causa.” Eu ajudo vocês: [o Papa repete com as pessoas] “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por minha causa”.
“Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso recompensa nos céus”.
Bravo! Mas vamos fazer uma coisa: eu vou dar uma lição de casa, uma tarefa para fazer em casa. Peguem o Evangelho, aquele que vocês têm … Lembrem-se que vocês devem sempre levar um pequeno Evangelho com vocês, no seu bolso, bolsa, sempre; aquele que vocês têm em casa. Peguem o Evangelho, e nos primeiros capítulos de Mateus – creio que no capítulo quinto – estão as bem-aventuranças. E hoje, amanhã, vocês leem em casa. Vocês irão ler? [O povo responde: Sim] Não se esqueçam, porque é a lei que Jesus nos dá! Vocês irão fazer? Obrigado.
Nestas palavras, há toda a novidade trazida por Cristo, e toda a novidade de Cristo está nestas palavras. De fato, as bem-aventuranças são o retrato de Jesus, seu modo de vida; é o caminho para a verdadeira felicidade, que também nós podemos trilhar com a graça que Jesus nos dá.
3. Além da nova Lei, Jesus nos dá também o “protocolo” com o qual seremos julgados. No fim do mundo seremos julgados. E quais são as perguntas que vão nos fazer lá? Quais são essas questões? Qual é o protocolo com o qual o juiz vai nos julgar? É isso o que encontramos no vigésimo quinto capítulo do Evangelho de Mateus. Hoje a tarefa é ler o quinto capítulo do Evangelho de Mateus, no qual existem as bem-aventuranças e ler o 25º capítulo, no qual existe o protocolo, as perguntas que farão no dia do julgamento. Nós não teremos títulos, créditos ou privilégios para nos garantir. O Senhor vai reconhecer-nos se, por nossa vez,  O tivermos reconhecido nos pobres, nos que passam fome, nos indigentes e marginalizados, em quem sofre e está sozinho … Este é um dos critérios fundamentais de verificação da nossa vida cristã, com os quais Jesus nos convida a medir-nos a cada dia. Eu leio as bem-aventuranças e penso como deve ser a minha vida cristã, e depois faço um exame de consciência com o capítulo 25 de Mateus. Todos os dias: eu fiz isso, eu fiz isso, eu fiz isso … Nos fará bem! Essas coisas são simples, mas concretas !
Queridos amigos, a nova aliança consiste precisamente nisto: em reconhecer-se em Cristo, envolvido na misericórdia e compaixão de Deus. É isso que enche o nosso coração de alegria, e é isso que torna a nossa vida bela e crível do amor de Deus por todos os nossos irmãos e irmãs que encontramos todos os dias. Lembrem do dever de casa! O quinto capítulo de Mateus e capítulo 25 de Mateus. Obrigado!
Fonte: Canção Nova 

5 de ago. de 2014

Como se tornar sacerdote


Não há bilhetes à venda para se tornar sacerdote. «Entra-se» no sacerdócio só por iniciativa do Senhor. Ele «chama quem ele quer que se torne sacerdote». Como sempre, o Papa com uma imagem eficaz explicou nesta manhã, quarta-feira 26 de Março, aos fiéis presentes na praça de São Pedro para a audiência geral, «como se tornar sacerdote».

Aliás «se algum de vós – disse dirigindo-se aos jovens na praça – sentiu isto no seu coração, foi Jesus quem o pôs ali. Esmerai-vos por este convite e rezai a fim de que ele prospere e dê frutos na Igreja inteira».

O «isto» ao qual se referia o Papa é «o desejo de se tornar sacerdote, a vontade – explicou ele mesmo – de servir os outros em tudo aquilo que vem de Deus». Um desejo que deve ser alimentado com a oração. Aquela oração que nunca deve ser descuidada nem pelos bispos, nem pelos sacerdotes e diáconos. Porque «um bispo que não reza», que «não escuta a Palavra de Deus», que «não celebra todos os dias, que não se confessa regularmente e, do mesmo modo, o sacerdote que não age assim, a longo prazo perdem a união com Jesus, adquirindo uma mediocridade que não faz bem para a Igreja», afirmou. Por isso, exortou, «devemos ajudar os bispos e os sacerdotes a rezar, a ouvir a Palavra de Deus, que é pão quotidiano, a celebrar todos os dias a Eucaristia e a confessar-se de maneira habitual»: uma tarefa «muito importante», porque «diz respeito precisamente à santificação dos bispos e dos presbíteros».

Tendo concluído o ciclo das reflexões sobre os sacramentos «que juntos, constituem o mistério da iniciação cristã», esta manhã o Papa falou sobre a ordem e anunciou que a próxima catequese será sobre o matrimónio. Ordem e matrimónio, especificou com efeito, «constituem dois caminhos grandiosos através dos quais o cristão pode fazer da própria vida um dom de amor, a exemplo e em nome de Cristo, cooperando assim para a edificação da Igreja».

Em particular, a ordem, «cadenciada nos três graus de episcopado, presbiterado e diaconado, é o Sacramento - explicou - que habilita para o exercício do ministério, confiado pelo Senhor Jesus aos Apóstolos, de apascentar a sua grei». Uma missão, especificou ainda, que deve ser cumprida com amor, porque os pastores que não servem com amor «erram».

Fonte: L'OSSERVATORE ROMANO

















4 de ago. de 2014

DIA DAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS

A palavra "vocação" vem do latim e quer dizer "chamado, apelo". Vocação sacerdotal é um chamado para ser sacerdote. Quem chama é Deus, Nosso Senhor. A escolha é feita por ele, como Jesus diz no Evangelho: "Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi [...]" (Jo 15,16)


Deus está pronto a dar à sua Igreja os sacerdotes de que necessita. Aliás, Jesus Cristo recomendou a seus apóstolos: "A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para sua colheita" (Lc 10,2). Para que esses sacerdotes sejam dados à Igreja, Deus espera que nós façamos a nossa parte.

Não podemos deixar que a vocação seja desprezada. É necessário que os jovens a conheçam e sejam generosos em segui-la, porque a vocação é um tesouro precioso.

"Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração" (Jr 3,15). Com esse texto do profeta Jeremias, o papa João Paulo II iniciou sua Exortação Apostólica Pastores dabo vobis, de 1992, sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias atuais. Esse documento pontifício tornou-se a sua maior orientação para a Igreja na formação dos seus sacerdotes. Nele, o Papa diz:

A vocação sacerdotal é um dom de Deus, que constitui certamente um grande bem para aquele que é o seu primeiro destinatário. Mas é também um dom para a Igreja inteira, um bem para a sua vida e missão. A Igreja, portanto, é chamada a proteger este dom, a estimá-lo e amá-lo: ela é responsável pelo nascimento e pela maturação das vocações sacerdotais. Em conseqüência disso a pastoral vocacional tem como sujeito ativo, como protagonista, a comunidade eclesial enquanto tal, nas suas diversas expressões.

É grande a urgência, sobretudo hoje, que se difunda e se radique a convicção de que todos os membros da Igreja, sem exceção, têm a graça e a responsabilidade do cuidado pelas vocações (n.41).

Com isso percebemos a importância do padre, percebemos por que Nosso Senhor sempre suscita vocações. É preciso pois, que rezemos para que haja vocações, porque Nosso Senhor condicionou o número de vocações às nossas orações. Contudo há algo muito importante a fazer: consultar um bom sacerdote, que possa ajudar a conhecer melhor a vontade de Deus, visto que "cada um recebe de Deus um dom particular [...]" (1Cor 7,7). Os jovens devem repetir com freqüência as palavras de são Paulo: "Senhor, que quereis que eu faça?".

Com oração e sacrifício, e seguindo os conselhos, as vocações se multiplicarão e, então, o chamado de Deus deixará de ser esse tesouro tão desprezado e se tornará um tesouro que, ao ser encontrado, faz com que a pessoa deixe tudo para possuí-lo. O Concílio Vaticano II é explícito, ao afirmar que "o dever de fomentar as vocações sacerdotais pertence a toda a comunidade cristã, que as deve promover sobretudo mediante uma vida plenamentente cristã".

Fonte: Portal Paulinas

2 de ago. de 2014

O mês vocacional chegou na Arquidiocese de Fortaleza

O mês vocacional está só começando, depois da Missa dos Coroinhas, hoje na Catedral, AMANHÃ, dia 03 de agosto, vários eventos vocacionais em algumas Regiões Episcopais.

07h-12h - Despertar Vocacional na Região Episcopal Metropolitana Sagrada Família. Paróquia Jereissati Timbó - Maracanaú.

14h-17h - Despertar Vocacional na Região Episcopal Metropolitana São José. Paróquia N. Sra. da Saúde, Mucuripe - Fortaleza.




TESTE VOCACIONAL - Por Dom Alberto Taveira Corrêa

Há um costume na Igreja Católica no Brasil de dedicar anualmente o mês de agosto à reflexão a respeito de uma das dimensões fundamentais da vida cristã, a vocação. São João Paulo II chamou a vocação de um olhar de amor vindo de Deus para cada pessoa. Tendo diante dos olhos, com a ajuda da Comunidade cristã, os vários estados de vida e possibilidades de serviço ao Reino de Deus, a Igreja quer oferecer, especialmente às crianças, adolescentes e jovens, o caminho seguro. Sabemos que Deus concede a todos os homens e mulheres uma imensa quantidade de dons e capacidades, com as quais podem realizar-se. Todos nós fomos feitos para dar certo e ninguém pode ser excluído.
         
Não é raro que em escolas e outros ambientes se ofereçam os chamados testes vocacionais, com os quais as habilidades são identificadas, contribuindo para as novas gerações encontrarem seu lugar na sociedade. Podem ajudar a descobrir os campos de atividade mais adequados às capacidades de cada um e facilitar o acesso aos cursos adequados e à posterior entrada no mercado de trabalho. Nem sempre as pessoas acertam na escolha do curso a fazer e são muitas aquelas que, em virtude de um concurso feito, dependentes dos salários que recebem, permanecem longos anos em ambientes inadequados aos seus próprios dons. Todos nós almejamos um mundo em que as pessoas se integrem bem e sejam felizes, no lugar certo, com sua dignidade reconhecida e possibilidades de desenvolvimento de todas as suas potencialidades. O sonho pode parecer distante, mas não podemos desejar menos do que uma sociedade livre e igualitária, com oportunidades oferecidas a todos. Daí a importância a ser dada a todos os instrumentos técnicos e pedagógicos que nos aproximem de tal ideal. Acrescente-se a isso o esforço a ser empreendido para multiplicar os postos de trabalho destinados às novas gerações.
         
No entanto, é outra a compreensão da ideia cristã de vocação. Os testes vocacionais e outros recursos podem conduzir à profissão e à realização das capacidades, mas vocação tem a ver com vida cristã e experiência religiosa, o que pode conduzir à escolha de um estado de vida e disponibilidade para o serviço do próximo por causa de uma realidade que supera as atividades cotidianas ou o trabalho a ser realizado. Vocação exige dois polos. De um lado, Deus que cria, chama e ama. A outra parte é de cada pessoa humana, que precisa aprender a discernir os sinais da vontade de Deus e responder com coragem.
         
O ponto de partida está na família, convidada, através do Sacramento que a constitui, o matrimônio, a criar um ambiente adequado ao trato pessoal com Deus. Tudo começa no ato gerador do amor conjugal, com o qual uma vida tem início, com a colaboração dos pais, conscientes de que, ao conceberem uma criança, Deus cria uma alma chamada a viver por toda a eternidade (Cf. Encíclica Humani Generis, do papa Pio XII, número 36). Há um relacionamento pessoal e direto de amor entre Deus e cada pessoa humana, no qual o Senhor mantém a plena liberdade com a qual fomos criados e ao mesmo tempo provoca positivamente uma resposta de cada homem e de cada mulher, em vista da felicidade a que somos destinados. Deus não é fruto de nossa imaginação ou criatividade, mas nos precede como Senhor e Criador. Ele vem na frente! Nós é que somos suas criaturas!
         
A vida de oração na família cria as condições para que as crianças, tendo recebido de presente a inserção no Corpo de Cristo, na graça do Batismo, venham a responder a uma pergunta fundamental: "O que Deus quer de mim?" Não é suficiente ensinar os filhos a desenvolverem suas capacidades e descobrirem como ser importantes ou ganhar dinheiro na sociedade. Uma pessoa não chegou à sua plena realização quando faltou a experiência de Deus e a resposta a este amor pessoal. O nome de Deus e o amor a Ele sejam sagrados em cada casa. A família evangeliza e lança as sementes das vocações cristãs autênticas quando dentro dela se respiram os valores evangélicos verdadeiros, traduzidos em gestos e palavras tão simples, como pedir um favor, agradecer, dar espaço aos outros, o perdão, a gentileza, a polidez no trato. Para cultivar este ambiente, a família seja o espaço da iniciação à vida paroquial. Criança que vai à Missa com os pais tem futuro na vida cristã! Participação familiar na Santa Missa é Pastoral Vocacional! Depois, a Igreja, seus Sacramentos, seus Ministros, sua história, tudo venha a ser valorizado e respeitado na família!
         
O cultivo do ambiente vocacional continua com a inserção na catequese e nos grupos paroquiais, segundo as idades das crianças, adolescentes e jovens. Ali se ampliam os horizontes, outras pessoas são conhecidas. Nas Paróquias e Comunidades, faça parte do esforço pastoral a orientação vocacional e o reconhecimento das diversas vocações e estados de vida, nos quais o amor de Deus é acolhido e respondido com generosidade. Todas as vocações sejam consideradas importantes e nenhuma preterida nas Paróquias. Além disso, seja valorizada a figura dos orientadores vocacionais. Leigos e Leigas, Religiosos e Religiosas, assim como os sacerdotes, estes na magnífica tarefa do Sacramento da Penitência e da Direção Espiritual, são agentes imprescindíveis para uma cultura vocacional a ser desenvolvida na Igreja.
         
As grandes vocações eclesiais a serem cultivadas são o Matrimônio, o Sacerdócio, a Vida Religiosa e Missionária, a Dedicação a Deus nas Comunidades Novas, a Virgindade Consagrada nas Igrejas Particulares e outras formas de compromisso pessoal com o Senhor. Há lugar e oportunidade para todos e ninguém pense não ter uma vocação. Todos, sem exceção, têm um olhar pessoal de Deus a ser realizado na Igreja.
         
E somos ainda convidados a retornar ao argumento inicial, a profissão e a vocação. Um dia, perguntei a um jardineiro o que estava atrás da beleza de seu trabalho. Respondeu-me com simplicidade que era apenas o amor com que suas mãos realizavam as tarefas. Apenas! E encontro homens e mulheres de tantas outras profissões que as realizam com inigualável unção! Capacidades humanas foram elevadas a uma sacralidade impressionante. Tive inúmeros contatos com médicos, para dar um exemplo, que se deixam conduzir pelo Espírito Santo em suas delicadas tarefas. A diferença está lá dentro da pessoa, que pode ser apenas um profissional frio ou se deixar conduzir pela graça de Deus. Acontece então um encontro maravilhoso entre a iniciativa do Senhor, que nos leva em conta, e as capacidades humanas, cuja fonte se encontra também nele. A Ele a honra, o louvor e a glória, para sempre.

Fonte: basilicadenazare.com

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