13 de dez de 2012


"A vida do homem conhecer e amar a Deus"
No objetivo do “Ano da Fé”, proposto pelo Papa Bento XXVI para toda a Igreja, está a renovação dos fundamentos da vida cristã nos que já a receberam e no anuncio renovado do Evangelho a toda a humanidade.
Como instrumento muito útil para este objetivo temos o Catecismo da Igreja Católica que apresenta em síntese os conteúdos da fé cristã a quem já crê e aos que a quiserem conhecer realmente.
Assim o ponto de partida de toda a apresentação da Fé feita pelo Catecismo da Igreja Católica está a realidade mesma da pessoa humana que, criada por Deus, tem como sua finalidade o conhecimento e o amor do mesmo Deus para a plena realização da vida humana.
É experiência humana universal a busca da realização pessoal e a própria felicidade. Esta abertura fundamental para sua própria fonte de vida é colocada na pessoa humana pelo próprio Criador. A vida de cada homem ou mulher que vem a este mundo não é fruto de um acaso cego e sem razão. Tem um porquê. E este é conhecido e proposto pelo próprio Criador. Seria imenso absurdo que o mistério imenso da vida e em particular da vida humana não tivesse finalidade alguma, quanto todas as invenções humanas têm seu propósito.
Nós mesmos, seres inteligentes e capazes, temos projetos e finalidades quando nos propomos tantas realizações em que expressamos sabedoria e criatividade. Seria menos inteligente e sem objetivos a criação do mesmo mundo, do universo em que vivemos e de nós mesmos?
A partir desta abertura humana é que se apresenta a proposta da comunicação divina com a humanidade e a realidade da Fé.
De sua experiência profundamente humana é que Santo Agostinho se expressa quando diz em suas “Confissões”,1: “És grande, Senhor e infinitamente digno de ser louvado; grande é teu poder, e incomensurável tua sabedoria. E o homem, pequena parte de tua criação quer louvar-te, e precisamente o homem que, revestido de sua mortalidade, traz em si o testemunho do pecado e a prova de que resistes aos soberbos. Todavia, o homem, partícula de tua criação, deseja louvar-te. Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso.”
E como poderá a pessoa humana se encontrar com Deus?
A pessoa humana material e sensível como poderá se comunicar com este Outro que é sua fonte de existência e razão de sua realização? Como poderia se o mesmo Criador não providenciasse esta comunicação e relacionamento recíproco? (Os fabricantes humanos apresentam juntamente com seus produtos os manuais de instrução para o reto uso dos mesmos. E como são importantes para que possam servir às suas finalidades sem o perigo de que se tornem inúteis ou se estraguem por uso incorreto!)
O mesmo Agostinho lembra que a primeira comunicação divina ao homem realiza-se na própria natureza. Ela é livro onde a inteligência humana encontrará as mensagens de Deus: no universo em sua imensidão e na própria pessoa humana em seu mistério.
Mas como interpretar os sinais da natureza sem se enganar com seu significado?
Deus mesmo se torna revelador na consciência e na história humana fazendo caminho de Fé – encontro de Deus com o homem e do homem com Deus.
Assim Deus se revela na História de um povo onde faz caminho para a humanidade inteira. Outro livro irá conter a comunicação divina em palavras – a Bíblia em seu Primeiro Testamento – testemunho da ação divina na história humana do povo hebreu e, por ele, de todas as nações.
Finalmente a revelação se torna comunicação de Deus aos homens na encarnação do Verbo (Filho Eterno do Deus Eterno) no homem Jesus de Nazaré. Sua vida, sua morte, sua ressurreição, sua obra testemunham de modo compreensível a revelação de Deus que se faz comunhão com a humanidade. E revelando-se Deus com rosto humano, revela e chama o Homem à vida mesma divina – Amor – Vida Eterna.
Assim inicia o Catecismo da Igreja Católica a proposta cristã da Fé. Esta se expressará no conteúdo da Vida de Amor, em sua Vivência na pessoa e na comunidade humana, nas suas relações com Deus.
Às pessoas de nosso tempo, tão ciosas de suas capacidades criativas, mergulhadas no que é material e sensível, é necessária a (re)descoberta de algo mais profundo em nossa existência, que vai muito além do que é palpável, grandioso nas realizações humanas, mas tão limitado e passageiro, ignorante de uma meta maior.
+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano

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