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Palavra do Pastor

Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques, Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

11 de out de 2016

[Artigo] Nossa Senhora Aparecida, Surpresa da Misericórdia Divina

Pe. Rafhael Silva Maciel
Reitor do Seminário Propedêutico de Fortaleza
Missionário da Misericórdia

Celebramos com muita alegria a festa da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Celebramos a festa de uma Mãe de ternura e de misericórdia. Sim, porque o encontro da imagem da Virgem Maria nas águas do Rio Paraíba, que se deu em duas ocasiões, é o encontro de um povo com algo proveniente do mistério de Deus.


Aqueles pobres pescadores estavam em busca do seu sustento; estavam no trabalho que não produzia o quanto eles desejavam ou pelo menos o que eles necessitavam. O Papa Francisco falando sobre Aparecida diz que “no início do evento que é Aparecida, está a busca dos pescadores pobres. Tanta fome e poucos recursos. (...) Possuem um barco frágil, inadequado; têm redes decadentes, talvez mesmo danificadas, insuficientes. Primeiro, há a labuta, talvez o cansaço, pela pesca, mas o resultado é escasso: um falimento, um insucesso. Apesar dos esforços, as redes estão vazias” (Discurso, 27/07/2013, Rio de Janeiro).

Celebramos com muita alegria a festa da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Celebramos a festa de uma Mãe de ternura e de misericórdia. Sim, porque o encontro da imagem da Virgem Maria nas águas do Rio Paraíba, que se deu em duas ocasiões, é o encontro de um povo com algo proveniente do mistério de Deus.

Aqueles pobres pescadores estavam em busca do seu sustento; estavam no trabalho que não produzia o quanto eles desejavam ou pelo menos o que eles necessitavam. O Papa Francisco falando sobre Aparecida diz que “no início do evento que é Aparecida, está a busca dos pescadores pobres. Tanta fome e poucos recursos. (...) Possuem um barco frágil, inadequado; têm redes decadentes, talvez mesmo danificadas, insuficientes. Primeiro, há a labuta, talvez o cansaço, pela pesca, mas o resultado é escasso: um falimento, um insucesso. Apesar dos esforços, as redes estão vazias” (Discurso, 27/07/2013, Rio de Janeiro).

O achado da Imagem de Aparecida segue a lógica do mistério da Encarnação do Verbo: Ele vem ao nosso encontro, ele vem em direção aos sofrimentos do seu povo (Jo 1,14; Fl 2,6-7). Nas águas do Paraíba, veio com sua Mãe, como foi às Bodas de Caná e ali realiza o milagre. Por isso Aparecida é manifestação da presença divina; como diz o Papa Francisco, Aparecida é criatividade do Amor de Deus que de algum modo quer mostra-se próximo do seu povo.

Que meio de estar mais próximo e com a ternura que o povo precisa pode ser mais doce e misericordioso do que o simbolismo da mãe que coloca o filho no colo e acalma suas angústias. Por isso, a Mãe Aparecida, em sua festa, lembra-nos que é preciso, assim como seu Filho Jesus Cristo, sairmos de nós mesmos e irmos ao encontro dos irmãos, dos mais necessitados.

E nesse encontro sermos para eles uma surpresa de Deus. Surpresa de Deus que se manifestará na graça de Deus agindo em nós e por nós, surpresa de Deus que se manifestará na simplicidade do encontro, na simplicidade do modo de estar com os outros – como reconheceu Isabel na visita de Maria (Lc 1,39ss). Ainda a surpresa de Deus se manifestará quando encontrarmos com aqueles que o próprio Senhor colocar em nosso caminho, sem que esperássemos.

A festa de Nossa Senhora Aparecida quer lembrar para todos nós que é necessário sair de nossas comodidades e ir ao encontro; sair de nossas certezas para o desconhecido das águas desse mundo pelas quais o Senhor nos faz navegar. Aparecida torna-se, então, sinônimo de SAÍDA DE SÍ, torna-se antônimo de EGOÍSMO. Com Maria, “a Igreja se sente discípula e missionária desse Amor : missionária somente enquanto discípula, isto é capaz de deixar-se sempre atrair, com renovado enlevo, por Deus que nos amou e nos ama por primeiro (1Jo 4,10)”
(Bento XVI, Homilia, 13/05/2007, Aparecida, SP).

Assim sendo, que a Virgem Mãe Aparecida faça de nós imagens da surpresa de Deus, como foi ela mesma foi surpresa de Deus para o povo brasileiro no Rio Paraíba.

Fonte: Projeto Igreja em Saída 

7 de out de 2016

Marcha pela Vida – Marcha da Misericórdia - Padre Rafhael Silva Maciel

No próximo dia 08 de outubro realizamos em Fortaleza mais uma edição da Marcha pela Vida contra o aborto. Sem dúvida um evento com uma mensagem forte que se alarga para além das individualidades de confissões religiosas e sociais. A defesa da vida sempre esteve em pauta nas mais variadas culturas e sociedades. Mas, neste caso específico, saindo do discurso genérico, adentra-se em um tema peculiar: a vida desde a concepção, desde o ventre materno.


Existem muitos defensores da prática do aborto, da morte da pessoa que está sendo gestada no ventre da sua mãe. A Marcha pela Vida, que tem edições em centenas de Cidades no mundo, quer ser um alerta principalmente na luta contra a aprovação de leis iníquas em diversas partes do mundo. Vale a pena lembrar o que falou Bento XVI sobre questões ligadas ao Estado, no ano 2010, a um grupo de Bispos brasileiros: “quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”.

Isso não vale apenas para os representantes da Igreja Católica, na verdade a exortação de Bento XVI é para todas as pessoas de boa vontade, que reconhecem o direito natural e inegável à vida. Longe das querelas políticas e tendo em conta a legítima e sadia separação entre Igreja e Estado, proclamada por Cristo quando declarou  “‘dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é Deus’, não significa de maneira alguma que a moral oriunda da lei natural possa ser relativizada no campo político”. O Catecismo da Igreja Católica, no número 1903 afirma que “se acontecer de os dirigentes promulgarem leis injustas ou tomarem medidas contrárias à ordem moral, estas disposições não poderão obrigar as consciências”. E aqui emerge a situação da objeção de consciência, que profissionais leigos cristãos, ou mesmo não cristão, podem trazer em seu favor e das vítimas do aborto, as crianças e as mães.

Aqui vale lembrar que a luta contra o aborto é ao mesmo tempo a luta pela vida da mãe da criança; uma vez que as sequelas físicas e psicológicas marcam a vida da mulher com uma força tão grande que leva a traumas quase incuráveis. É bem isso o que diz o Papa Francisco na Carta a Dom Rino Fisichella por ocasião do Jubileu da Misericórdia:

“Um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida. Uma mentalidade muito difundida já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida. O drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto semelhante comporta. Muitos outros, ao contrário, mesmo vivendo este momento como uma derrota, julgam que não têm outro caminho a percorrer. Penso, de maneira particular, em todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz causada por esta escolha sofrida e dolorosa. O que aconteceu é profundamente injusto; contudo, só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança”.

Neste ano de 2016 o tema da Marcha pela Vida em Fortaleza está exatamente em consonância com o pensamento do Papa Francisco: “Amamos a vida da mamãe e do bebê”. Como diz a professora Lenise Garcia: “o aborto não elimina a angústia da mãe, mas a perpetua para o restante da vida. por isso, depressão e pensamentos suicidas são mais frequentes em mulheres que já fizerem o aborto”. Por isso o cuidado paterno e materno que o Papa Francisco tem pedido na acolhida de tais mulheres.
Dirá ainda o Papa Francisco, na Exortação Evangelii Gaudium, n. 214: “E precisamente porque é uma questão que mexe com a coerência interna da nossa mensagem sobre o valor da pessoa humana, não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou ‘modernizações’. Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana”.

Deste modo, na Marcha pela Vida, colocamo-nos como Missionários da Misericórdia ao anunciar o valor incondicional da vida em todas as suas fases. Misericórdia que é tão propagada por muitas bocas, mas que na verdade é esquecida na hora de optar por uma vida que não merece ser tirada, porque é a mais indefesa possível. Infelizmente há muitos governos contrários à vida, que se fazem coniventes com todo o tipo de ação perversa e imoral. Ponhamo-nos a escuta da voz de profetas dos nossos tempos. Dizia Sta. Teresa de Calcutá: “Eis porque o aborto é um pecado tão grave. Não somente se mata a vida, mas nos colocamos mais alto do que Deus; os homens decidem quem deve viver e quem deve morrer”. E de São Francisco: “Senhor fazei de mim um instrumento de vossa paz”, paz que começa quando a vida é respeitada e defendida.

Padre Raphael Silva Maciel é reitor do Seminário Propedêutico de Fortaleza  e missionário da Misericórdia.

25 de ago de 2016

[Artigo] Com Misericórdia o elegeu – Jornada Vocacional 2016

“Com Misericórdia o elegeu” – Jornada Vocacional 2016

Pe. Rafhael Silva Maciel
Reitor do Seminário Propedêutico de Fortaleza
Missionário da Misericórdia

O lema pontifício do Papa Francisco é também o lema da VII Jornada Vocacional de Fortaleza, que ocorre em sintonia com o Jubileu da Misericórdia: “Com Misericórdia o elegeu”. Esse é um trecho de uma meditação de São Beda, o Venerável, a cerca da passagem de Mateus 9,9, que narra o chamado do publicano Mateus.

Celebrando o Jubileu da Misericórdia a meditação sobre o chamado vocacional faz-nos pensar sobre a vocação como uma chamada que parte primeiramente do amor misericordioso do Senhor, que chama os que Ele quer apesar de seus pecados e fragilidades. Por isso podemos pensar na vocação como uma chamada e uma resposta de misericórdia. Disse o Papa Francisco na sua Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações 2016: “A ação misericordiosa do Senhor perdoa os nossos pecados e abre-nos a uma vida nova que se concretiza na chamada ao discipulado e à missão. Toda a vocação na Igreja tem a sua origem no olhar compassivo de Jesus. A conversão e a vocação são como que duas faces da mesma medalha, interdependentes continuamente em toda a vida do discípulo missionário”.

Chamada de misericórdia porque parte daquele que é a Misericórdia e que quer contar com a generosidade da criatura humana. Ele, o Senhor das consolações chama por amor e para o amor àqueles que Ele escolhe e elege. O mistério da escolha, de eleição de Deus sobre uma pessoa, para a vocação e missão que Ele quer não é compreensível ao entendimento humano, pois apesar das fraquezas e do pecado pessoal de cada um assim mesmo acontece o chamado. A vocação, seja ele qual for, é puro dom da misericórdia divina.
Resposta de misericórdia porque sentir-se eleito pelo Senhor para uma vocação específica na Igreja e no mundo é já uma graça. Todos os que sentem a chamada de Deus para uma vocação sabem que a dignidade pessoal fica aquém da missão para qual foi escolhido. Por isso mesmo, a resposta humana ao chamamento divino deve ser uma resposta de misericórdia, dado que uma vez aceita a vocação e a missão o dever da correspondência a essa aceitação será o pôr-se a serviço dos outros, como extensão da Mão misericordiosa do Senhor. Na Via Sacra da JMJ Cracóvia, falava o Papa aos jovens: “queridos jovens, o Senhor renova-vos o convite para vos tornardes protagonistas no serviço; Ele quer fazer de vós uma resposta concreta às necessidades e sofrimentos da humanidade; quer que sejais um sinal do seu amor misericordioso para o nosso tempo!” (29.07.2016)
Exatamente isso é que queremos refletir na Jornada Vocacional de Fortaleza, uma vez que milhares de jovens ali presentes poderão dizer depois ao Senhor: eu quero o que tu queres; eu me coloco ao serviço dos mais necessitados; eu quero te servir, Senhor, servindo meus irmãos. Sem dúvida não é mérito pessoal, mas eleição que a criatura acolhe para colocar-se como mensageiro, arauto, discípulo, apóstolo da Misericórdia de Deus no mundo de hoje.
Ao pensar sobre o chamado misericordioso de Deus e em modos particulares e exemplares de serviço aos irmãos a Jornada Vocacional está propondo duas ações em sintonia com o pensamento pastoral do Papa Francisco: a doação de sangue, com a presença do HEMOCE e a coleta seletiva de resíduos, que depois serão encaminhados para pastorais que trabalham com catadores de lixo. Chamados para servir, servindo à criação.
Assim, queremos que a Jornada Vocacional continue a dar seus frutos seja no despertar da chamada de Deus no coração dos jovens para uma vocação específica seja para o serviço gratuito do amor aos irmãos e irmãs mais necessitados.


23 de ago de 2016

Jornada Vocacional de Fortaleza inova com coleta seletiva e incentivo à doação de sangue

Evento busca conscientizar sobre vocações e cuidados com a Casa Comum, inspirados pelo Papa Francisco.


A Jornada Vocacional de Fortaleza – JVF  estima que pelo menos oito mil pessoas passe neste domingo, dia 28,  no Colégio Santa Isabel, das 9h às 19h, para conferir os shows no palco principal do evento e a V edição da Feira Vocacional que acontece simultaneamente à JVF. Tudo com entrada gratuita.

O público predominante é de jovens e a organização busca deixar um legado de cunho social para a cidade, a partir do evento, além da promoção da cultura de paz. Neste ano, a Pastoral Vocacional, promotora do evento, fechou parceria com o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará – Hemoce para a coleta de sangue e cadastro de doadores de medula óssea.

Outra novidade é que o lixo produzido ao longo do dia na JVF será coletado de modo seletivo e encaminhado para associação de catadores assistida pela Arquidiocese de Fortaleza. “A partir do que nos ensina o Papa Francisco queremos promover uma consciência entre os jovens sobre a importância de se promover a solidariedade, a cultura de paz e o cuidado com a nossa Casa Comum”, explica padre Rafhael Maciel, da organização do evento.



A Jornada Vocacional conta com shows no palco principal começando às 9h da manhã com Naldo José seguido por Thiago Tomé, da Comunidade Canção Nova, Irmã Kelly Patrícia e a banda Missionário Shalom. Ainda haverá celebração da Santa Missa e adoração ao Santíssimo Sacramento, além da V Feira Vocacional, que acontece simultaneamente à JVF.

SERVIÇO:

JORNADA VOCACIONAL DE FORTALEZA (V FEIRA VOCACIONAL)

Data: 28 de agosto de 2016

Local: Ginásio do Colégio Santa Isabel (Av. Mister Hull, SN)

Horário: 9h às 19h

Entrada: gratuita



10 de ago de 2016

JVF abre inscrições para a V Feira Vocacional

A Jornada Vocacional de Fortaleza –JVF  abre  inscrições para a quinta edição da Feira Vocacional, amostra de carismas da Igreja Católica que acontece simultaneamente ao evento, dia 28 de agosto, das 9h às 19h, no Colégio Santa Isabel, com entrada gratuita.
A Feira é um espaço onde as diversas Congregações, Institutos e Movimentos Eclesiais da Arquidiocese de Fortaleza têm a possibilidade de exporem seu carisma e trabalhos para os participantes do evento. A cada ano cresce o número de expositores, a expectativa é que neste ano o número chegue a trinta e dois, cinco a mais em relação ao ano passado.

Os interessados em participar da Feira devem procurar a organização para efetivar sua inscrição, em horário comercial, através do número: 9.8659-3741. Neste ano, tanto a JVF quanta a Feira Vocacional abordarão a temática da Misericórdia em referência ao Jubileu Extraordinário da Misericórdia decretado pelo Papa Francisco. 


SERVIÇO:

JORNADA VOCACIONAL DE FORTALEZA (V FEIRA VOCACIONAL)

Data: 28 de agosto de 2016

Local: Ginásio do Colégio Santa Isabel (Av. Mister Hull, SN)

Horário: 9h às 19h

Entrada: gratuita

Mais informações: 85 3290.1045 






Pastoral Vocacional da Arquidiocese de Fortaleza divulga atrações da JVF 2016

A Jornada Vocacional de Fortaleza – JVF  acontece pela sétima edição  consecutiva e é o maior evento vocacional da capital cearense.

A organização da Jornada Vocacional de Fortaleza – JVF divulgou na tarde desta quarta-feira, dia 10 de agosto, as atrações da edição 2016 do maior evento vocacional da capital cearense que será realizado dia 28 de agosto, das 9h às 19h, no Colégio Santa Isabel, com entrada gratuita.

A programação artística será aberta às 9h pelo cantor Naldo José, que tem evangelizado através do ritmo do forró autor dos  sucessos consagrados “sou casado e sou feliz” e o mais novo hit, “reza que ela volta”. Retorna ao palco principal do evento Irmã Kelly Patrícia, a freira que toca guitarra. Também confirmou presença a banda de pop rock internacional Missionário Shalom que vem  de apresentações no exterior durante a Jornada Mundial da Juventude na Polônia.


Novidade nesta edição é a participação de Thiago Tomé, cantor e pregador da Comunidade Canção Nova, que vem direto de São Paulo para a JVF. “Teremos uma programação bem variada com cantores e bandas, além de pregação e os momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento e a santa missa presidida pelo nosso arcebispo dom José Antonio. É um encontro muito especial e marcante em nossa arquidiocese”, explica Padre Rafhael Maciel, responsável pela Pastoral Vocacional da Arquidiocese de Fortaleza, nomeado pelo Papa Francisco Missionário da Misericórdia.


Mais sobre Thiago Tomé

Thiago Tomé é Ministro de música, viveu por quase dois anos e meio em Israel, na casa de missão mantida pela Canção Nova naquele país. Apresentou, durante três anos, o programa “Contra-Maré”, uma atração da TV Canção Nova voltada para a juventude, sempre trazendo participações musicais marcantes.

FEIRA VOCACIONAL

Também nesta quarta-feira a organização da  Jornada Vocacional de Fortaleza –JVF  abriu  inscrições para a quinta edição da Feira Vocacional, amostra de carismas da Igreja Católica que acontece simultaneamente ao evento. Os interessados em participar da Feira devem procurar a organização para efetivar sua inscrição, em horário comercial, através do número: 9.8659-3741.    




























SERVIÇO:

JORNADA VOCACIONAL DE FORTALEZA (V FEIRA VOCACIONAL)

Data: 28 de agosto de 2016

Local: Ginásio do Colégio Santa Isabel (Av. Mister Hull, SN)

Horário: 9h às 19h

Entrada: gratuita

Mais informações: 85 3290.1045

29 de jun de 2016

Os ensinamentos de São Josemaría sobre o sacerdócio


Os Ensinamentos de São Josemaría sobre o sacerdócio: uma resposta aos desafios de um mundo secularizado
Índice:
“Todos os sacerdotes somos Cristo”. Eucaristia e identificação com Cristo
“Empresto ao Senhor minha voz”. Familiaridade com a Palavra e disponibilidade para as almas
“Empresto ao Senhor minhas mãos”. Amor a liturgia e obediência à Igreja
“Empresto ao Senhor meu corpo e minha alma: todo meu ser”. Sacerdote cem por cento
Fazer a Deus presente em todas as atividades humanas é o grande desafio dos cristãos num mundo secularizado, e é a tarefa que São Josemaría recordou a milhares de pessoas – sacerdotes e leigos – durante a sua vida. Sua mensagem pode resumir-se em poucas palavras: santidade pessoal no meio do mundo.
Jesus Cristo se fará presente e ativo no mundo quando: nas famílias, na fábrica, nos meios de comunicação, no campo…, na medida em que Cristo vive no pai e na mãe de família, no trabalhador, no jornalista, no camponês…, isto é, na medida em que o trabalhador, o jornalista, o esposo ou a esposa sejam santos. Como afirmou João Paulo II, “é necessário arautos do Evangelho expertos em humanidade, que conheçam a fundo o coração do homem de hoje, participem de suas alegrias e esperanças, de suas angústias e tristezas, e ao mesmo tempo sejam contemplativos, enamorados de Deus. Para isto são necessários novos santos. Os grandes evangelizadores (…) foram os santos.Devemos suplicar ao Senhor que aumente o espírito de santidade na Igreja e nos mande novos santos para evangelizar o mundo de hoje”. (Discurso ao Simpósio de Bispos europeus, 11.10.1985).
Este é o segredo diante da indeferença e do esquecimento de Deus: nosso mundo precisa de santos, qualquer outra “solução” é insuficiente. O mundo atual, com a sua instabilidade e suas profundas mudanças, reclama a presença de homens santos, apostólicos, em todas as atividades seculares: “Um segredo. Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos. Deus quer um punhado de homens ‘seus’ em cada atividade humana. – Depois… ‘pax Christi in regno Christi’ – a paz de Cristo no reino de Cristo” (São Josemaría. Caminho, n. 301).
A ausência de Deus na sociedade secularizada traduz-se na falta de paz, e, como consequência, prolifera-se as divisões: entre as nações, nas famílias, no lugar de trabalho, na convivência diária… para encher de paz e de alegria estes ambientes, “temos que ser, cada um de nós, alter Christus, ipse Christus, outro Cristo, o mesmo Cristo. Somente assim poderemos empreender essa grande empresa, imensa, interminável: santificar desde dentro todas as estruturas temporais, levando aí o fermento da Redenção” (São Josemaría, É Cristo que passa, n. 183). Todos nós estamos chamados a colaborar nesta tarefa apaixonante, com uma visão otimista diante do mundo em que vivemos: “Para ti, que desejas formar-te num mentalidade católica, universal, transcrevo algumas características: (…) uma atitude positiva e aberta ante a transformação atual das estruturas sociais e das formas de vida” (São Josemaría, Sulco, n. 428).
Nesta tarefa de transformação do mundo, percebe-se também o importante papel do sacerdote. Porém, quem é o sacerdote na sociedade de hoje? Como pode converter-se em fermento de santidade? A esta pergunta pode-se responder desgranando umas palavras de São Josemaría que definem a identidade do sacerdote, também no mundo secularizado: “Todos os sacerdotes somos Cristo. Empresto ao Senhor minha voz, minhas mãos, meu corpo, minha alma: dou-lhe tudo” (São Josemaría, Anotações de uma reunião familiar em 10.05.1974, citado por J. Echevarría, Por Cristo, con Él y en Él, Ed. Palabra, Madrid 2007, p. 167).
1. «Todos os sacerdotes somos Cristo».
Eucaristia e identificação com Cristo.
Certamente são os leigos que, de modo capilar, fazem presente a Cristo nas encruzilhadas do mundo. Ao mesmo tempo, a vida de Cristo que se inicia no Batismo necessita do ministério sacerdotal para desenvolver-se. A grandeza do sacerdote consiste em que se lhe foi concedido o poder de vivificar, decristificar. O sacerdote é “instrumento imediato e diário dessa graça salvadora que Cristo ganhou-nos”. O sacerdote traz a Cristo “a nossa terra, a nosso corpo e a nossa alma, todos os dias: Cristo vem para alimentar-nos, para vivificar-nos” (São Josemaría, Homilia Sacerdote para a eternidade,13.IV.1973).
Como pastor de almas e como dispensador dos mistérios de Deus (cf. 1Co 4, 1), o sacerdote, especialmente num mundo indiferente à fé, deve alentar a todos para que progridam em direção à santidade, sem rebaixar – por covardia ou por falta de fé – o horizonte do mandato divino: sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5, 48). O sacerdote orientará a outros nesse caminho à santidade se ele mesmo reconhece esse imperativo, e se é consciente de que Deus colocou em suas mãos os meios para alcança-lo. O grande desafio para o sacerdote consiste em identificar-se com Cristo no exercício do seu ministério sacerdotal, para que muitos outros também busquem esta configuração com o Senhor, no desempenho das suas tarefas habituais.
A identificação com Cristo sacerdote fundamenta-se no dom do sacramento da Ordem, e se desenvolve na medida em que o sacerdote põe nas mãos de Cristo tudo o que ele é. Isso acontece de modo paradigmático e excelente durante a celebração da Eucaristia. Na Missa, o sacerdote empresta seu ser a Cristo para trazer a Cristo. São Josemaría expressava esta verdade com uma força singular:
“Ao chegar ao altar a primeira coisa que pensa é: Josemaría, tu não é Josemaría Escrivá de Balaguer (…): és Cristo (…). É Ele quem diz: isto é o meu Corpo, isto é o meu Sangue, é Ele que consagra. Se não, eu não poderia fazê-lo. Ali se renova de modo incruento o divino Sacrifício do Calvário. De maneira que estou ali inpersona Christi, fazendo as vezes de Cristo” (São Josemaría, Anotações tomadas…, cit.).
Esta identificação com o Senhor é uma característica essencial da vida espiritual do sacerdote. Como dizia São Gregório Magno, “nós que celebramos os mistérios da paixão do Senhor, temos que imitar o que fazemos. E então a hóstia ocupará nosso lugar diante de Deus, se nos fazemos hóstias nós mesmos” (São Gregório Magno, Lib. Dialogorum, 4, 59, citado em São Josemaría Escrivá de Balaguer,Carta 8-VIII-1956, n. 17).
A inteira existência sacerdotal se orienta ao que o próprio eu diminua, para que cresça Cristo no presbítero: ocultar-se, sem buscar protagonismo, para que apareça somente a eficácia salvadora do Senhor; desparecer, para que Cristo se faça presente através do exercício abnegado e humilde do ministério. Ocultar-se e desaparecer (São Josemaría, Camino, edición crítico-histórica preparada por P. Rodríguez, 3ª edición, Rialp, Madrid 2004, p. 945) é uma fórmula que São Josemaría gostava muito. Convida especialmente ao sacerdotes a preferir o sacrifício escondido e silencioso (São Josemaría,Caminho, n. 185.) às manifestações ostentosas ou chamativas.
Paradoxalmente, para contrarrastar a ausência de Deus num mundo secularizado, São Josemaría propõe aos sacerdotes, não tanto uma forte atividade pública, com a sua correspondente ressonância mediática, senão, simplesmente, ocultar-se e desaparecer. Deste modo, ao desaparecer o “eu” do sacerdote, se propagará a presença de Cristo no mundo, segundo a lógica divina que se manifesta na celebração da Eucaristia.
“Parece-me que aos sacerdotes se nos pede a humildade de aprender a não estar de moda, de ser realmente servos dos servos de Deus – lembrando-nos daquele grito de João Batista: illum oportet crescere, me autem minui (Jn 3, 30); convém que Cristo cresça e que eu diminua –, para que os cristãos correntes, os leigos, façam presente, em todos os ambientes da sociedade, a Cristo (…). Quem pensa que, para que a voz de Cristo faça-se ouvir no mundo de hoje, é necessário que o clero fale ou se faça sempre presente, não entendeu muito bem a dignidade da vocação divina de todos e de cada um dos fiéis cristãos” (São Josemaría, Conversaciones, n. 59).
A existência sacerdotal consiste em colocar tudo o que é próprio a mercê de Deus: emprestar a voz ao Senhor, para que Ele fale; emprestar-lhe as mãos, para que Ele atue; emprestar-lhe o corpo e a alma, para que Ele cresça no sacerdote e, através do seu ministério, em cada um dos fiéis cristãos. Diante dos desafios do nosso mundo, São Josemaría, ensina aos sacerdotes humildade e abnegação: colocar inteiramente a disposição do Senhor o próprio eu.
2. «Empresto ao Senhor minha voz».
Familiaridade com a Palavra e disponibilidade para as almas.
A Eucaristia “reúne em si todos os mistérios do cristianismo. Celebramos, por tanto, a ação mais sagrada e transcendente que os homens, pela graça de Deus, podemos realizar nessa vida” (São Josemaría, Conversaciones, n. 113). O sacerdote empresta a sua voz ao Senhor, de modo inefável ao pronunciar as palavras da consagração, que permitem que a força de Deus Pai, Filho e Espírito Santo realize o prodígio da transubstanciação. A eficácia dessas palavras não está no sacerdote, mas em Deus. O sacerdote, por si mesmo, não poderia dizer eficazmente “isto é o meu corpo”, “este é o cálice do meu sangue”: pois não se produziria a conversão do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo. Isto, que sucede de modo extraordinário durante a celebração eucarística, no momento mais sublime da vida do sacerdote, pode-se estender analogamente a toda sua vida e seu ministério.
A eficácia da palavra do sacerdote – na pregação, na celebração dos sacramentos, na direção espiritual e no trato com as pessoas – provém do mesmo princípio: emprestar sua voz ao Senhor.
a)      Familiaridade com a voz de Deus;
Emprestar ao Senhor a própria voz requer confiança nEle, requer escutar a voz de Deus e incorporá-la na própria vida. Para adquirir essa familiaridade, São Josemaría indica dois caminhos imprescindíveis: a vida de oração e o estudo. O Sacerdote deve dedicar tempo para estudar e meditar a Sagrada Escritura e a aprofundar sua formação teológica, para que ressoe fielmente a voz de Cristo, que fala em sua Igreja.
“A pregação da palavra de Deus exige vida interior: devemos falar aos demais das coisas santas, ex abundantia enim cordis, os loquitur (Mt 12, 34); da abundância do coração, fala a boca. E junto com a vida interior, estudo: (…) Estudo, doutrina que incorporamos na própria vida, e que somente assim saberemos dar aos demais do modo mais conveniente, acomodando-nos as suas necessidades e circunstâncias com dom de línguas” (São Josemaría, Carta 8-VIII-1956, n. 25).
O povo cristão está sedento da voz de Deus. E o sacerdote não pode decepcionar esses santos desejos. No mundo de hoje, no qual abunda a confusão, é necessário que o sacerdote seja o porta-voz fiel da Palavra divina: ter vida interior e estudar a doutrina, deve assegurar que a pregação não seja eco de outras vozes que não são de Cristo. Seguir confiadamente o Magistério é garantia que Cristo seja escutado na Igreja e no mundo. São Josemaría animava também aos sacerdotes a pedir luzes ao Espírito Santo, para serem somente instrumentos seus, pois é o Paráclito quem atua no interior da alma (cf. Santo Tomás, STh II-II, q 177, a. 1c.). Emprestar a voz a Deus significa também que o sacerdote não prega sobre si mesmo, mas sim de Cristo Jesus, Nosso Senhor (cf. 2Co 4, 5), fazendo eco do Evangelho. Deste modo, a eficácia da pregação virá do Senhor mesmo.
“Das palavras de Jesus Cristo bem expostas, claras, doces e fortes, cheias de luz, pode depender a solução do problema espiritual de uma alma que os escuta, desejosa de aprender e a determinar-se.A palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração (Hb 4, 12)” (São Josemaría, Carta 8-VIII-1956, n. 26).
De alguma maneira, o sacerdote deve aspirar a mesma intimidade com a Palavra de Deus que teve Santa Maria. Bento XVI, a propósito do Magnificat, “completamente costurado pelos fios tomados da Sagrada Escritura”, descreve era familiaridade da Virgem nos seguintes termos: “Fala e pensa com a Palavra de Deus, a Palavra de Deus se converte em sua palavra, e sua palavra nasce da Palavra de Deus. Assim se manifesta, além disso, que seus pensamentos estão em sintonia com o pensamento de Deus, que o seu querer é um querer com Deus” (Bento XVI, Carta Encíclica Deus caritas est, n. 41).
O Santo Padre vai mais além, ao sinalar que a Virgem, “ao estar intimamente penetrada pela Palavra de Deus, pode converter-se em mãe da Palavra encarnada” (Ibid.). algo parecido acontece com o sacerdote; São Josemaría dizia, referindo-se à Eucaristia que, assim como Nossa Mãe trouxa uma vez ao mundo a Jesus, “os sacerdotes o trazem a nossa terra, a nosso corpo e a nossa alma, todos os dias” (São Josemaría, Homilia Sacerdote para a eternidade, 13-IV-1973).
Emprestar ao Senhor a voz requer humildade: calar opiniões pessoais em questões de fé, moral e disciplina eclesiástica quando são dissonantes; não apegar-se às próprias ideias, buscar a união com desejos de servir. É necessário que o sacerdote fale aos homens de Cristo, comunique a doutrina de Cristo como fruto da própria vida interior e do estudo: com santidade pessoal e conhecimento profundo da vida dos homens e das mulheres do seu tempo.
b)      Disponibilidade para emprestar a voz ao Senhor;
Emprestar a voz requer também disponibilidade. São Josemaría não se cansou de pedir aos sacerdotes que dedicassem tempo na administração do perdão divino. Para que a voz misericordiosa de Deus chegue às almas através do sacramento da Reconciliação, é necessária uma condição, quase óbvia, porém fundamental: estar disponíveis para atender os que se aproximam. Seria um erro pensar que, no nosso mundo, suporia uma perda de tempo. Seria equivalente a fechar a boca de Deus, que deseja perdoar por meio de seus ministros. São Josemaría tinha bem experimentado que, quando o sacerdote, com constância, um dia após o outro, dedica um tempo a esta tarefa, estando fisicamente no confessionário, esse lugar de misericórdia termina por encher-se de penitentes, embora ao princípio não venha ninguém. Assim descrevia a um grupo de sacerdotes diocesanos em Portugal, em 1972, o resultado de perseverar nessa tarefa.
“Não os deixarão viver, nem podereis rezar nada no confessionário, porque vossas mãos ungidas estarão, como as de Cristo – confundidas com elas, porque sois Cristo – dizendo: eu te absolvo. Amai o confessionário. Amai-o, amai-o”! (São Josemaría, Anotações de uma reunião com sacerdotes diocesanos em Enxomil (Oporto), 10-V-1974).
São Josemaría tinha uma fé vivíssima na verdade real de que o sacerdote é Cristo, quando diz: “eu te absolvo”. Com grande sentido sobrenatural e com sentido comum, dava conselhos muito práticos, para que a dignidade do sacramento não se obscurecesse, para que fosse um canal limpo da voz de Jesus Cristo. Por isso amava o confessionário. Entendia que, utilizando esse tradicional instrumento, fomentam-se as disposições adequadas – tanto do penitente como do confessor – para facilitar a sinceridade e o tom sobrenatural próprio de uma realidade sagrada.
“Deus nosso Senhor conhece bem a minha e a vossa debilidade: somos todos nós homens correntes, porém Cristo quis converter-nos num canal que faça chegar as águas de sua misericórdia e de seu Amor a muitas almas” (São Josemaría, Carta 8-VIII-1956, n. 1).
Falava da administração do sacramento da Penitência como um exercício deleitável e uma paixão dominante do sacerdote. Sem dúvida, as horas diárias dedicadas a confessar, “com caridade, com muita caridade, para escutar, para advertir, para perdoar” (Ibid., n. 30) fazem parte de esse ocultar-se e desaparecer, tão eficaz para fazer presente a Cristo nas pessoas e nos ambientes onde vivem.
Ao confessar, o sacerdote – no seu papel de juiz, mestre, médico, pai e pastor – experimenta a necessidade de dar doutrina clara, ante as dificuldades que se apresentam na vida dos penitentes. Consciente disso, São Josemaría fomentou entre os presbíteros um vivo afã de conservar e melhorar a ciência eclesiástica, “especialmente a que necessitais para administrar o sacramento da Penitência” (Ibid., n. 15). “Procurai – escrevia em uma oração a sacerdotes – dedicar um tempo do dia – embora sejam somente alguns minutos – ao estudo da ciência eclesiástica” (Ibid.). Com este fom, impulsionou também encontros, convívios, reuniões para os presbíteros, etc.
O renascer da prática da confissão sacramental é um dos grandes desafios do mundo atual, que necessita redescobrir o sentido do pecado e experimentar a alegria da misericórdia de Deus. O sacerdote, estando disponível para celebrar o sacramento da Reconciliação, e procurando – mediante a oração e o estudo – que suas ideias estejam em sintonia com a doutrina da Igreja, é absolutamente insubstituível.
Os fiéis leigos devem sentir também a responsabilidade de levar seus colegas, parentes e amigos ao sacerdote, para que possam “escutar a voz de Deus” e receber seu perdão. A colaboração entre leigos e sacerdotes, neste campo, é especialmente importante na sociedade de hoje.
São Josemaría entendia que o sacerdote, também na tarefa de direção espiritual, é um instrumento para fazer chegar às almas a voz de Deus; nesta tarefa não deve sentir-se nem “proprietário”, nem modelo: “O modelo é Jesus Cristo; o modelador, o Espírito Santo, por meio da graça. O sacerdote é o instrumento, e nada mais” (Ibid., n. 37). A direção, outra das paixões dominantes de São Josemaría, não consiste em mandar, mas em abrir horizontes, sinalizar obstáculos, sugerindo os meios para vencê-los, e impulsionar ao apostolado. Animar,, em definitiva, a que cada um descubra e queira cumprir o desígnio de santidade que Deus tem para ele.
Isto é possível se o mesmo sacerdote está convencido de que propor a busca da santidade é levar as pessoas à felicidade. Esta persuasão surge da luta do presbítero pela própria santificação, é fruto do amor à vontade de Deus e é necessária para combater o pensamento laicista, que tende a excluir a Deus do horizonte da felicidade humana.
3. «Empresto ao Senhor minhas mãos».
Amor a liturgia e obediência a Igreja.
Na Santa Missa, é Cristo aquele que, através do sacerdote, oferece-se ao Pai pelo Espírito Santo. As mãos do presbítero, ungidas durante a cerimônia de ordenação, sempre foram veneradas pelos cristãos, porque trazem a Cristo, porque são dispensadoras dos tesouros da redenção.
São Josemaría tinha uma via consciência de que a liturgia é ação divina, sagrada, e não ação humana. Se um mundo descristianizado caracteriza-se, em boa parte, pela ausência do sagrado, o sacerdote tem hoje um grande desafio de esmerar-se no cuidado da liturgia, “emprestando a Deus suas mães” e seu ser por inteiro.
Isto significa evitar protagonismos que podem obscurecer a ação divina. Também no serviço litúrgico é válida a fórmula de São Josemaría: “Ocultar-se e desaparecer é comigo mesmo, que somente Jesus brilhe” (São Josemaría, Carta com motivo das bodas de ouro sacerdotais, 28-I-1975). Este princípio corresponde a lógica da fé e da visão sobrenatural. Somente desde a fé se pode entender em profundidade a eficácia sobrenatural que encerra o princípio de “emprestar ao Senhor minhas mãos”; e se aceitam com gosto as consequências práticas as quais conduz: fidelidade à fé e à doutrina católica, e obediência delicada às normas litúrgicas:
“Que coloqueis sempre um particular empenho em seguir com toda docilidade o Magistério da Santa Igreja; e, como consequência, que também cumpris, com delicada obediência, todas as indicações da Santa Sé em matéria litúrgica, adaptando-os com generosidade as possíveis modificações – que sempre serão acidentais – que o Romano Pontífice possa introduzir na lex orandi” (São Josemaría,Carta 8-VIII-1956, n. 22).
As mãos do sacerdote devem ser as mãos de uma pessoa enamorada, que sabe tratar com delicadeza as coisas do Senhor e, muito especialmente, tudo o que se relaciona com o culto divino. O descuido de igrejas, altares e objetos de culto transmite inevitavelmente certa sensação de ausência de Deus ou de indiferença. Para fazer frente ao mundo materialista, é necessário um cuidado atento de tudo aquilo relacionado com a presença sacramental do Senhor na Eucaristia. Numa celebração litúrgica imbuída de espírito de adoração encerra-se uma sóbria beleza, que eleva o espírito a Deus e comunica a presença do Sagrado. São Josemaría viveu sempre com a preocupação de que nunca é demais a dignidade do culto.
“Tratai bem os objetos de culto: é manifestação de fé, de piedade e dessa nossa bendita pobreza que, se nos leva a destinar ao culto o melhor daquilo que podemos dispor, nos obriga por isso mesmo a trata-lo com a mais sensível delicadeza: sancta sancte tractanda! São joias de Deus. Os cálices sagrados e as alfaias santas e o demais que pertence a Paixão do Senhor… por seu consorcio com o Corpo e o Sangue do Senhor devem ser venerados com a mesma reverência que seu Corpo e seu Sangue (S. Jerônimo, Epist. 114, 2)” (Ibid., n. 23).
4. «Empresto ao Senhor meu corpo e minha alma: todo meu ser».
Sacerdote cem por cento.
Depois de ter considerado como o sacerdote empresta ao Senhor sua voz e suas mãos, chegamos, como em um in crescendo de identificação com Cristo, a uma formulação abrangente da identidade sacerdotal: “empresto ao Senhor meu corpo e minha alma: todo meu ser”. Esta fórmula, referida à celebração eucarística, na qual o sacerdote atua in persona Christi Capitis, pode estender-se analogamente à inteira vida do sacerdote, constituindo a sua mais íntima aspiração: ser, sempre e em tudo, ipse Christus, o mesmo Cristo.
São Josemaría descrevia com força esse sentido de totalidade próprio do sacerdote. Dirigindo-se a um grupo de sacerdotes recém ordenados, expressava da seguinte maneira: “Receberam o Sacramento da Ordem para ser, nada mais e nada menos, sacerdotes-sacerdotes, sacerdotes cem por cento” (São Josemaría, Homilia Sacerdote para a eternidade, 13-IV-1973).
Ao mesmo tempo, é evidente que sempre é indispensável à colaboração entre sacerdotes e leigos, cada um segundo a missão que lhes é própria. Como escrevia São Josemaría, “esta colaboração apostólica é hoje importantíssima, vital, urgente” (São Josemaría, Carta 8-VIII-1956, n. 3). Por uma parte, porque os presbíteros, enquanto tais, não têm acesso a muitos ambientes profissionais ou sociais. Por outra parte, porque os leigos, para serem verdadeiramente “outros Cristos” necessitam da vida sacramental e, por tanto, o recurso ao ministério sacerdotal. Sem vida interior, o leigo terminará por mundanizar-se, ao invés de cristianizar o mundo: é necessária uma intensa vida sobrenatural para influenciar cristãmente em ambientes onde parece ter desaparecido a pegada de Deus.
“No exercício do apostolado, os leigos têm absoluta necessidade do sacerdote, no momento em que chegam ao que chamo o muro sacramental, como os sacerdotes – especialmente em meio da indiferença religiosa, quando não se trata ademais de um ataque brutal à Religião, na sociedade desses tempos – tem necessidade dos leigos, para o apostolado” (Ibid.).
Esta colaboração é eficaz na medida em que respeita a natureza mesma da vocação de cada um: o leigo deve ser “Cristo” em meio do mundo, nas circunstâncias normais da sua vida: na convivência com seus familiares, com aqueles que compartilha projetos e afãs. Ao mesmo tempo, o sacerdote deve ser sempre e inteiramente sacerdote, vivendo para sustentar e alentar o afã de santidade de homens e mulheres, com uma entrega abnegada em seu ministério. Dificilmente haverá leigos que perseverem no empenho de buscar a santidade na vida ordinária, sem presbíteros “dedicados integralmente ao seu serviço, que se esqueçam habitualmente de si mesmos, para preocupar-se somente das almas” (Ibid.).
São Josemaría repetia com frequência que tinha uma só panela (un solo puchero) para todos, cujo conteúdo é, em síntese, a busca da santidade no meio das ocupações cotidianas. Dessa panela podem se alimentar o pai e a mãe de família, o engenheiro, o advogado, o médico, o operário, e também o sacerdote. E o sacerdote desempenha um papel insubstituível para ajudar os fiéis a ser santos: há de servir a todos, é sacerdote para os demais. Pela missão que recebeu de Deus tem uma especial obrigação por buscar a santidade. “Muitas coisas grandes dependem do sacerdote: temos a Deus, trazemos a Deus, damos a Deus” (Ibid., n. 17).
Por isso o fundador do Opus Deu falava em ser sacerdote cem por cento, que é a consequência da fazer da própria vida aquilo que acontece na Santa Missa: emprestar ao Senhor o corpo e a alma, dar-lhe tudo. Significa também que o sacerdócio não é um emprego, nem uma tarefa que ocupa parcialmente a jornada, como outros trabalhos. Para São Josemaría não existem âmbitos da existência pessoal que não sejam sacerdotais: até nas situações aparentemente mais intranscendentes, ou nas ocupações profanas, o sacerdote é sempre sacerdote, escolhido entre os homens, constituído em favor dos homens (Cf. Hb 5, 1).
Plenamente congruente com esse “emprestar meu corpo a Senhor” é o dom do celibato sacerdotal. Em meio do mundo, que facilmente tende a banalizar a dignidade do corpo, cobra especial significado entregar totalmente o corpo a Nosso Senhor Jesus Cristo na celebração eucarística. O celibato de Jesus Cristo ilumina com toda sua força e resplendor o celibato do sacerdote. Cristo, nos seus anos de existência terrena e na vida da sua Igreja, demonstrou a que grau extraordinário de paternidade e maternidade, de caridade sem limites, pode-se chegar com esse dom.
Ao longo da sua grande experiência pastoral, São Josemaría experimentou continuamente a necessidade de uma forte identidade sacerdotal: não é verdade que os cristãos desejam ver no sacerdote um homem a mais; o povo cristão, o que deseja do sacerdote é que seja sacerdote. Na sociedade atual, onde poucos pretendem ofuscar a Deus, os cristãos necessitam perceber com mais razão ainda a presença de Cristo no sacerdote; necessitam e esperam, em palavras de São Josemaría, “que se destaque claramente o caráter sacerdotal: esperam que o sacerdote reze, que não se negue a administrar os Sacramentos, que esteja disposto a acolher a todos sem constituir-se em chefe ou militante de bandeiras humanas, sejam do tipo que sejam; que ponha amor e devoção na celebração da Santa Missa, que se sente no confessionário, que console os enfermos e aos afligidos; que dê doutrina na catequese de crianças e adultos, que pregue a Palavra de Deus e não qualquer tipo de ciência humana que – embora conhecesse perfeitamente – não seria a ciência que salva e leva à vida eterna; que tenha conselho e caridade com os necessitados. Em uma palavra: se pede ao sacerdote que aprenda a não estorvar a presença de Cristo nele” (São Josemaría, Homilia Sacerdote para a eternidade, 13-IV-1973).
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Esta última frase pode talvez resumir o desafio que o mundo atual lança aos ministros sagrados. Aos homens de todos os tempos, o sacerdote deve fazer presente a Deus, e para isto, deve aprender a emprestar a Cristo sua voz, suas mãos, sua alma e seu corpo: todo seu ser. Assim acontece principalmente quando administra os sacramentos ou na pregação, porém não somente nesses momentos. A dinâmica própria do sacramento da Ordem, cujo centro e cume é a Eucaristia, leva a doar-se inteiramente, ao longo do dia, de corpo e alma, a Cristo.
A vida terrena de Santa Maria, Mãe de Cristo, Sacerdote Eterno, e Mãe dos sacerdotes, foi um “faça-se sincero, entregado, cumprido até as últimas consequências, que não se manifestou em ações espetaculares, mas sim no sacrifício escondido e silencioso de cada dia” (São Josemaría, É Cristo que passa, n. 172). Na Virgem se demonstra a eficácia dessa atitude. Por isso Maria, permanentemente, continua fazendo presente a Deus nas casas, nas ruas. A Mãe de Deus é, muitas vezes, o último reduto de fé, daquele que não poucas vezes brota de novo a conversão e o descobrimento da alegria da vida cristã em meio do mundo.
+ Javier Echevarría
Prelado do Opus Dei
Fonte: Presbíteros

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