7 de nov de 2012

Mensagem final do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização (II)

3. O encontro pessoal com Jesus Cristo na Igreja

Antes de dizer qualquer coisa sobre as formas que esta nova evangelização deve assumir, sentimos a necessidade de dizer-lhes com convicção profunda que a fé determina tudo na relação que construímos com a pessoa de Jesus, que toma a iniciativa de encontrar-nos. A obra da nova evangelização consiste em apresentar mais uma vez a beleza e novidade perene do encontro com Cristo ao coração muitas vezes distraído e confuso e à mente dos homens e mulheres do nosso tempo, sobretudo para nós mesmos. Convidamos a todos a contemplar o rosto do Senhor Jesus Cristo, para entrar no mistério de sua vida entregue por nós na cruz, confirmado na sua ressurreição dentre os mortos, como dom do Pai, e dada a nós por meio do Espírito. Na pessoa de Jesus, o mistério do amor de Deus Pai para toda a família humana é revelado. Ele não quer que permanecemos em uma falsa autonomia. Ao contrário, ele nos reconciliou consigo mesmo em um pacto de amor renovado.
A Igreja é o espaço oferecido por Cristo na história, onde podemos encontrá-lo, porque ele lhe confiou a sua Palavra, o Batismo, que nos faz filhos de Deus, o seu Corpo e o seu Sangue, a graça do perdão dos pecados, sobretudo no sacramento da Reconciliação, a experiência de comunhão, que reflete o próprio mistério da Santíssima Trindade e da força do Espírito que gera caridade para com todos.
Devemos formar comunidades acolhedoras em que todos os irmãos encontram uma casa, experiências concretas de comunhão, que atraem o olhar desencantado da humanidade contemporânea com a força ardente do amor – “Vede como eles se amam!” (Tertuliano, Apologia, 39, 7). A beleza da fé deve brilhar em particular nas ações da sagrada Liturgia, sobretudo na Eucaristia dominical. É precisamente nas celebrações litúrgicas que a Igreja, revela-se como obra de Deus e faz com que o significado do Evangelho visível na palavra e gesto.
Cabe a nós hoje tornar as experiências da Igreja concretamente acessíveis, multiplicar os poços onde os homens sedentos e mulheres são convidados a encontrar Jesus, oferecer oásis nos desertos da vida. As comunidades cristãs e, nelas, cada discípulo do Senhor, são responsáveis por isso: um testemunho insubstituível tem sido confiado a cada um, para que o Evangelho possa entrar na vida de todos. Isso exige de nós a santidade de vida.
4. As ocasiões de encontro com Jesus e ouvir as Escrituras
Alguém vai perguntar como fazer tudo isso. Não precisamos inventar novas estratégias, como se o Evangelho fosse um produto a ser colocado no mercado das religiões. Precisamos redescobrir as formas em que Jesus se aproximou de pessoas e chamou-os, a fim de colocar em prática essas abordagens nas circunstâncias atuais.
Recordamos, por exemplo, como Jesus envolveu Pedro, André, Tiago e João no contexto do seu trabalho, como Zaqueu era capaz de passar da simples curiosidade para o calor de compartilhar uma refeição com o Mestre, como o centurião romano pediu-lhe para curar uma pessoa querida para ele, como o cego de nascença invocou como libertador de sua própria marginalização, como Marta e Maria viu a hospitalidade de sua casa e do seu coração recompensado pela sua presença. Ao passar pelas páginas dos Evangelhos, bem como pelas experiências missionárias dos apóstolos na Igreja primitiva, podemos descobrir as várias formas e circunstâncias em que as vidas pessoas se abriram à presença de Cristo.
A leitura frequente das Sagradas Escrituras – iluminadas pela Tradição da Igreja, que nos as entrega e é a sua  interpretação autêntica – não só é necessária para conhecer o conteúdo do Evangelho, que é a pessoa de Jesus no contexto de história da salvação. Ler as Escrituras também nos ajuda a descobrir oportunidades de encontrar Jesus, abordagens verdadeiramente evangélicas enraizadas nas dimensões fundamentais da vida humana: a família, o trabalho, a amizade, a várias formas de pobreza e as provações da vida, etc.
5. Evangelizar nós mesmos e abrindo-nos à conversão
Nós, no entanto, nunca devemos pensar que a nova evangelização não nos diga respeito da nossa pessoa. Nestes dias as vozes entre os bispos foram levantadas para lembrar que a Igreja deve, antes de tudo dar atenção à palavra antes de que ela poder evangelizar o mundo. O convite para evangelizar torna-se um apelo à conversão.
Acreditamos firmemente que devemos converter-nos primeiro para o poder de Cristo, o único que pode fazer novas todas as coisas, acima de toda a nossa existência pobre. Com humildade, devemos reconhecer que a pobreza e as fraquezas dos discípulos de Jesus, especialmente de seus ministros, pesam sobre a credibilidade da missão. Estamos certamente conscientes – nós, Bispos, em primeiro lugar – que nunca correspondemos ao chamado do Senhor e ao mandato de anunciar o seu Evangelho para as nações. Sabemos que temos que reconhecer humildemente nossa vulnerabilidade, às feridas da história e não hesitar em reconhecer os nossos pecados pessoais. Estamos, no entanto, também convencido de que o Espírito do Senhor é capaz de renovar sua Igreja e tornando-a resplandecente se o deixarmos moldar-nos. Isto é demonstrado pelas vidas dos Santos, a lembrança e a narração dois quais um meio privilegiado da nova evangelização.
Se esta renovação dependesse de nós, haveria sérias razões para duvidar. Mas a conversão na Igreja, assim como a evangelização, não ocorre principalmente por meio de nós, pobres mortais, mas sim através do Espírito do Senhor. Aqui encontramos a nossa força e nossa certeza de que o mal nunca tem a última palavra seja na Igreja ou na história: “Não deixem que seus corações ser agitados ou com medo” (João 14,27), disse Jesus aos seus discípulos.
A obra da nova evangelização repousa sobre esta certeza serena. Estamos confiantes na inspiração e na força do Espírito, que nos ensinará o que devemos dizer e o que estamos a fazer, mesmo nos momentos mais difíceis. É nosso dever, portanto, vencer o medo pela fé, o desânimo pela esperança, a indiferença através do amor.

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