10 de out de 2012



São João de Ávila, Presbítero Diocesano e Doutor da Igreja


            Nascido na cidade de Almodóvar Del Campo, na Espanha, no ano de 1500, São João de Ávila desde tenra idade já se mostrava com grande aptidão para os estudos, com uma excepcional piedade, buscando a Cristo pela via da mortificação, pela devoção ao Santíssimo Sacramento e pela constante oração, e com uma bela predileção pelos pobres.
            Seus pais, Alonso de Ávila e Catarina Xinxón, eram ricos e íntegros. Alonso era um “novo cristão”, denominação dada a um judeu convertido.
            Aos 14 anos, São João de Ávila é dirigido para a Universidade de Toledo, onde iria estudar Direito, porém, guiado pela busca de uma maior intimidade com Deus, volta para casa antes do término do curso. Tomado pelo desejo de aproximar as pessoas a Cristo, começa a sua formação presbiteral na Faculdade de Alcalá. Ao se ordenar, vende todos os seus bens, herdados das grandes riquezas de seus pais, e doa aos abandonados, vivendo, a partir disso, de esmolas.
            Passa a ter uma vida de intensa mortificação e incessante oração, o que resulta, assim, em grandiosas experiências místicas, singulares, com o amor de Deus.
            Tendo o seu serviço ministerial dedicado, em maior parte, na Andaluzia, logo se tornou famoso pelas suas pregações. As pessoas chegavam pela matina nas Igrejas onde o “Mestre de Ávila”, nome pelo qual era conhecido, ia celebrar a Santa Missa, para terem um bom lugar e assim prestarem melhor atenção nas palavras, inspiradas pelo Espírito Santo, ditas por aquele homem.
            Antes de suas reflexões, São João jejuava e se mantinha em oração, com a finalidade de que a graça de Deus o inspirasse a fala e tocasse os seus ouvintes.
            Muitas vezes, quando as igrejas eram pequenas, o “Apóstolo da Andaluzia” tinha que celebrar nas praças que ficavam cheias. Os fieis, em outras vezes, ocupavam até os telhados das casas para melhor ouvirem os sábios sermões daquele padre.
            Era comum as pessoas se emocionarem durante suas pregações e tomarem para si uma vida de maior conversão e intimidade com Deus. Assim aconteceu com São João de Deus, que tomou o verdadeiro sentido da vida, os caminhos de Cristo, após a escuta de um sermão de São João de Ávila.
            O “Mestre de Ávila”, como outros santos contemporâneos seus, foi levado a julgamento pela Santa Inquisição (devido aos constantes cismas surgidos na Europa e ao surgimento de pensamentos reformadores, a Igreja teve que agir com grande cautela frente aos novos ideais heréticos enganadores), onde foi inocentado e, por tal fato, ainda mais respeitado quanto a sua defesa da fé católica. Nesse período de reclusão, enquanto procedia seu julgamento, São João escreveu a sua “magnum opus”, “Audi, filia”, (Ouve, filha), onde ele se dirige à uma dirigida espiritual sua, indicando a esta o caminho para a santidade.
            Manteve correspondências com grandes santos de sua época, instruindo-os e partilhando experiências, entre estes estão São Francisco de Borja, São João de Ribeira, São Pedro de Alcântara, Santa Teresa de Jesus e Santo Inácio de Loyola, o qual tinha grande respeito por São João de Ávila e confiava muito nas medidas instruídas por este. Em contrapartida, São João também tinha uma grande admiração por Santo Inácio, devido a santidade deste e a fundação e o carisma da Companhia de Jesus .
            Acometido por várias doenças, a partir dos 50 anos, como cálculo renal, febres altas e dores pelo corpo, ele dizia: “Fazei comigo, Senhor, como faz o ferreiro: mantende-me com uma mão, e batei-me fortemente com a outra.”
            Em 10 de maio de 1569, de madrugada, São João de Ávila faz sua partida para a Pátria Eterna. Uma de suas discípulas teve uma revelação, feita por um anjo, que dizia que o “Mestre de Ávila” tinha ido direto para os Céus, sem nem mesmo passar pelo Purgatório.
            Santa Teresa de Jesus, que estava em Toledo, ao saber da morte de São João, pôs-se a chorar e ao ser interrogada pela razão do seu pranto, já que este já estava na Comunhão dos Santos, ela responde: “Disso estou bem certa. Mas o que me dá pena é que a Igreja de Deus perde uma grande coluna, e muitas almas, um grande amparo que tinham nele, que a minha, apesar de estar tão longe, o tinha por causa disso obrigação.”
            São João de Ávila foi beatificado em 1894, canonizado em 1970 e proclamado Doutor da Igreja no dia 7 de outubro de 2012, junto com a Santa, beneditina, Hildegarda de Bingen. 

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