13 de ago de 2014

FAMÍLIA CELEIRO DE VOCAÇÕES

Era domingo de manhã, quando meu filho, de 7 anos, pediu-me para ler, em sua pequena Bíblia, um episódio da vida de Jesus. Juntos, decidimos pela parábola do semeador (Mt 13, 1-23) que passei a ler e a refletir com ele. Vendo seus olhos atentos à leitura, pensei o quanto nós pais, temos de responsabilidade na evangelização destes pequeninos que Deus nos confiou e o quanto perdemos de tempo, deixando muitas vezes “de lado”, oportunidades valiosas como estas, para falar do amor de Deus para eles; educação humana necessária, missão educadora de família, como nos ensinou São João Paulo II, na Familiaris Consortio; texto, no entanto, tão atual e oportuno para nosso cotidiano.

























Após a leitura, como é próprio desta geração que nasceu na era da informação, ele veio com diversas ilustrações; de como temos de estar atentos para ouvir a mensagem da Bíblia, e citou exemplos do que já viu e ouviu nos filmes e desenhos que assiste. Aproveitei então, para falar-lhe que, como a “terra boa” da parábola, o nosso coração deve estar fértil e bem cuidado, para receber tudo de bom que Deus tem para nós, cultivando as boas ações, o amor ao próximo, a obediência aos pais, a fraternidade para com todos.

Minha filha, de 14 anos, aproveitou a oportunidade para perguntar questões da Bíblia que não entendia muito bem e aproveitamos este momento para aprendermos juntos, um pouco mais, da Palavra e da pedagogia de Deus.

Pensei o quanto estas atitudes são simples e plenas de significado e união familiar. Parei por um instante, olhando para eles; “fotografei” aquele momento e concluí que tinha acabado de construir saudades boas da juventude dos dois que ficarão guardadas com muito carinho como um tesouro no meu coração e agradeci a Deus pela beleza daquela manhã de domingo em família. Vinte, trinta minutos de partilha do amor de Deus, lembranças boas que precisam ser enriquecidas muitas e muitas vezes ao longo deste período em que eles ainda estão perto de nós, nos ouvindo e aprendendo conosco e nós com eles, com seu vigor, com sua inocente pressa de entender tudo, com suas “tiradas” joviais.

O Papa Emérito Bento XVI, ao falar do Sacramento do Matrimônio, em setembro do ano de (2011), lembrava que "o ministério que nasce do Sacramento do Matrimônio é importante para a vida da Igreja: a família é lugar privilegiado de educação humana e cristã e permanece para esta finalidade, a melhor aliada do ministério sacerdotal; ela é um dom precioso para a edificação da comunidade”. Concordando com esta verdade, percebi mais uma vez o quanto a família é responsável por fazer dos lares, ambientes férteis para novas vocações, exercitando a reflexão e o estudo constante da palavra de Deus, a Eucaristia, o perdão, o diálogo, a caridade e a fraternidade, para fazer brotar o desejo, por parte dos jovens, de servir a comunidade como sacerdote, religioso ou religiosa ou mesmo como leigo ou leiga, engajado nos serviços, movimentos e pastorais da Igreja.

Para o Papa, o Sacramento do Matrimônio, como o Sacramento da Ordem, tem como fonte plena e necessária a celebração da Santa Missa; por isso, ter em nossas famílias um sacerdote ou uma religiosa, ou até ambos, penso que é uma bênção especial que Deus concede aos lares cristãos. Avalio como uma semente, que como na parábola do semeador, caiu em terra boa, em coração cultivado com carinho, cuidado, promessa de futuro em nome do Amor.

Não sei se meus pequenos, um dia, serão chamados para este serviço sacramental ou se optarão pela vocação do matrimônio, como fizemos eu e a mãe deles. Somente peço a Deus que eles jamais esqueçam a quem eles pertencem. Como cidadãos do céu, nossa esperança e fé é que abracem o caminho do bem, da verdade, da humanidade, como homem e mulher que são, expressões do amor que nos uniu, como pais, ao ato criador de Deus, nos abençoando como procriadores, guardadores do amor conjugal materializado em duas pequeninas sementes que germinarão no tempo certo, para o serviço, na vocação que Deus os chamar.

Penso que precisamos, com mais frequência, ouvir e refletir a Palavra, como fizemos neste domingo, na intimidade de nossa pequena comunidade familiar, Igreja doméstica; por isso, resolvi refletir isto com você, caro leitor/leitora deste artigo, expressando assim, nossa amizade neste espaço. Afinal, como ainda nos ensina nosso Santo Padre "Nenhuma vocação é questão privada, nem mesmo a do matrimônio, porque o seu horizonte é a Igreja inteira". Amém!

LENO CARMO

Fonte: Paróquia de Jesus Ressuscitado - Arquidiocese de Belém 
http://jesusressuscitado.com.br/

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